prosa poética

Sobre o momento em que percebemos uma mudança irreversível e outras formas de enlouquecer (ou crescer)

Vejo pequenos seres alados tangenciando a porta da minha geladeira. Eles são criados por um defeito de comunicação entre meu olho e meu cérebro, não por drogas (a menos que você considere muitas horas seguidas de descolorante no couro cabeludo como drogas). Hoje, decidi ficar sozinha. Hoje, minha idade me disse que, se ela fosse um pouco menor, talvez eu enlouquecesse. Por isso, meu olho não viu muito a luz do dia e decidiu criar suas próprias distrações. Meu olho tem vida própria.

Nada nesta casa é o que parece…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


este é o meu sangue

As sirenes são gritos de criança.

Quando acaba tudo só me resta escrever. E quando acaba escrever, me resta o quê? Dois olhos, uma boca. E os gritos de criança da cidade. Um corpo pela metade. Queixas e rabos de olho (eu estou cansada). Vou pular.

Dessa vez.

Vou pular.

Pra dentro…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


Sem querer ser abstrata… Mas isto não é um simbolismo

(Antes de eu chegar aqui, isto já se perdeu)

Minhas costas arranhadas desconhecem o sangue que derrama do meu nariz. Meu septo acabou de explodir aqui na frente. Mas eu não sinto as minhas veias. As veias são as vias nas quais os carrinhos azulados transitam, uma imagenzinha boba que tornará mais agradável conviver com o derramamento de sangue aqui em cima. E, quando, volto às minhas costas, meu septo (lá na frente e em cima) está intacto novamente. Fluido e com uma barra de metal atravessada no meio. Meus olhos não. Decidi mantê-los inteiros, nunca feridos, nunca desfeitos. Eles eu quero perfeitos nos meus graus de miopia e na minha cegueira progressiva. Agora são minhas pernas que reclamam. Simplesmente porque decidi achar minhas costas laceradas bonitas. Não por narcisismo, pela idolatria da beleza das minhas unhas que rasgam a também minha pele, mas por amor ao arranhão em si. O arranhão, não a minha pele. A tragédia infundida naquele pedaço pedantesco de pele. Não consigo vê-lo. Nem tento. Imagino-o, com base na figura que se apresentou a mim ainda agora no espelho. Não aguento e vou vê-lo só pra descobrir que não se localiza exatamente nas costas, mas na junção sem nome entre o ombro e o braço. Não tô pra sentimentos hoje, mas eles – os sentimentos  – são bem assim: a junção do ombro com o braço. Pelo menos a maioria deles. A parte que importa…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


Equilíbrio

Alguém salve minha alma.

(Eu é que não vou fazer isso.)

O que me traz aqui é sempre dor. Dor, dor. Hello, mundo – quero ser ultrapassada. Do mesmo jeito que as minhas lágrimas ao ler um poema de Drummond ultrapassaram meu sábado cheio de expectativas (frustradas). Hoje, faço um brinde a este amável senhor poeta punk (e agora não estou mais falando do Drummond), do qual, do topo da minha cabeça à pontinha do meu dedo do meio, eu realmente gosto. E esta frase é dele.

Que amor torto que ele me traz…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


que não me pertence (ou atelofobia)

O que me traz aqui de volta é, mais uma vez, uma ferida.

Um corte fino no dedo indicador da mão direita que eu não faço ideia de como consegui. Alguns minutos atrás ele não estava aqui. Agora está. Não consigo tocar o teclado com o dito dedo. Me pergunto se meu dedo machucado tem ideia do que se passa no meu peito, dentro dele, nesta fossa simbólica que chamam coração. As pessoas e as coisas perpassam minha consciência sem dizer a que vieram. Sou apenas arte. Fico feliz que me vejam dessa forma. Deve ser porque, entre a arte e o amor existem milhares de coisas que eu não consigo decodificar. E isso me faz sofrer…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


Amadeo

Enchi a chaleira com água. Desisti de tomar chá e entornei a água na pia. Voltei pro quarto e, pelo reflexo da janela aberta no meu espelho, piscavam luzes fantasmagóricas. A dor no ombro talvez não passe agora. A porta pode ser aberta a qualquer momento. Mesmo sem ter por que, sinto medo. Não é pânico, muito menos desespero. Só um medinho leve e forjado. Quase encantador. (Porque. Meu. Coração. Dói). Um pouco.

As peças vão se embaralhando. Eu ouço um gato miar. Ou um pássaro piar. Talvez, quem sabe, eu pudesse ver peixes caindo do céu. (Fechei a cortina). Essa noite, mais uma vez, desejei ser um vampiro. Talvez pudesse convencer Armand a me transformar – logo ele, o mais difícil. O mais frívolo e o mais profundo deles. Não é sempre assim? Armand (o “homem das armas”), que foi Amadeo (“amor de Deus”), que primeiro foi Andrei (simplesmente “homem”). De certa forma, ele ilustra o arco do ser humano…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


Um sonho insone

Então meu coração começa a sangrar por uma lembrança banal. Uma pequena, renegada, recolhida desde sua origem ao compartimento de recordações menores. Por que este estopim? Não importa. Ela vai ser logo esquecida, como todo o resto. Nada dura aqui nessa minha cabeça, além das lembranças por si mesmas, nada atravessa essa ínfima névoa que me cobre o espírito por alguns instantes. É o tempo de uma respiração e… Pronto. Fim…(LEIA O TEXTO COMPLETO)

Vem a manhã e eu não sei por que

Então, uma paisagem em branco. Um fundo sem cor e sem padrões. Um pouquinho de dor, um pouquinho de medo. O remorso pela tristeza que deixei de sentir. Hoje. Bastaria uma imagem pra que eu não dissesse mais nada. Uma imagem me faria desistir. Então, veio a primeira cor. A primeira pincelada: azul royal. Se ela diz “paz” ou “desespero” não sou capaz de saber. Se ela tem meu nome impresso em sua textura liquida, eu posso ser alguém. Ela poderia desenhar asas… Mas não. É apenas uma pincelada…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


Não custa nada

Não significa nada. Não custou nada. Ninguém se lembra. Nem deu trabalho. Ninguém pagou por isso, então não vale um centavo. Quem disse? Ah, não. Não leve em conta o que ela diz. São só coisas supérfluas. Não custam nada. O que é importante, isso aí ela não faz. Deixa pra lá. Daqui a pouco acaba. Daqui a pouco, vira nada. Não tem valor mesmo…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


Espelho a 45º

Alguém pegou um martelo e deu no meio do meu tórax. Alguém me disse que não me amava. Alguém não me respondeu. Alguém que me ama (e eu amo) está dormindo agora. E eu estou sozinha.

Alguém que eu não conheço chora na madrugada. Alguém que eu perdi sorri de manhã. Alguém que eu tenho tem outras coisas. Alguém que morava no meu espelho já saiu. E eu estou sozinha.

Alguém com o meu rosto se afogou no rio. Alguém que eu um dia fui viu um milagre. Alguém que passou por mim hoje está morto. Alguém que nasceu já está condenado. Alguém vê fantasmas nessa madrugada. E eu estou sozinha…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


sangrando flores

Ela estava acostumada às batalhas sem fim. A olhar pelo bocal do mundo e ver seus inimigos lá. Ela estava acostumada a ter as flores como única companhia, porque as flores são belas. Porque as flores não brigam. Ela se viu com um punhado de pregos nas mãos e, de repente, quis cravá-los nas flores. Quem sabe, pensou, quem sabe reajam. Quem sabe comecem uma guerra. Eu já estou lutando…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


Sou eu que estou desaparecendo ou é o mundo?

Hoje eu quis chorar por motivos sérios e por motivos tolos. Hoje eu chorei. Hoje eu tive uma ideia melhor que essa mas deixei de escrever por ser triste demais. Não aguentei. Contudo, tenho aguentado. Amanhã, talvez, eu acorde morta. Ou daqui a sessenta anos numa cama de hospital. Ou nem um nem outro.

Não importa como vai ser.
O que importa é que eu estou desaparecendo.
Olho pra dentro de mim e não vejo ninguém…(LEIA O TEXTO COMPLETO)

Ainda sobre o silêncio

Nesses últimos dias, o silêncio tem sido meu maior inimigo. De certa forma, durante toda a minha vida. Mas nestes dias eu tenho pensado mais sobre ele (quase todos os meus textos mais recentes têm discorrido sobre o mesmo tema). Sobre o peso que exerce em quem eu sou. Sobre o modo como seu fio invisível perpassa toda a minha vida. É um fio que descostura ao invés de coser. Um fio que, no lugar de unir, afasta…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


Se eu não posso voar, deixe-me cantar

Nós nunca vamos ver mudanças através da beleza.

(E isso me entristece um pouco).

Gradativamente, o silêncio cai sobre nós. A decepção castra. A festa que nós compramos deveria ser qualquer coisa menos uma festa. Nós continuamos caindo. Interrompemos a queda magicamente. Tomamos fôlego. Mas estamos caindo. A vida não passa de um sintoma (defenda-se). “Nós” não existe mais. Eu estou quase desistindo. Não entendo mais nada, lamento a perda da inocência. Sim, era inocência. Só que às vezes eu chamo de ignorância. Dentre tantas palavras, no meio de tanta história, eu não faço mais diferença. Nunca fiz…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


Sobre “O fascínio do poço”, de Virginia Woolf

O que Virginia Woolf viu e ouviu no poço, eu gostaria de dizer que é o mesmo que vejo nos rostos anônimos das ruas. Seria uma mentira. Ela, Virginia, necessita apenas de um espelho d’água para vivenciar aquilo que nem centenas de rostos humanos me oferecem. Vejo apenas o silêncio, quando deveria ver histórias. Eles não me dizem nada, os passantes. Elas não me contam nada, as histórias. E eu falho mais uma vez na minha função de roteirista. Falho porque escrevo não histórias, vidas. Não vidas comuns. Não gosto do comum. Não vidas extraordinárias. Não acredito no extraordinário. E também seria uma presunção abissal chamar “vidas” o que não passam de fiapos de mente e fibras de peito. Então me aproximo um pouco de Woolf, vislumbro o poço através de meus muitos graus de miopia…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


A ação da gravidade

Manter para mim ou mostrar a todos? Muito tempo fiquei em dúvida quanto ao que vou escrever. E até agora não sei. Como não sei o que vale a pena na dor e no sofrimento, mesmo que simulados para confortar a alma sedenta de pranto. E ao mesmo tempo tão verdadeiros! Sinto como se fosse ficar aqui a madrugada inteira, escrevendo sem parágrafos e sem escrúpulos, interrompendo sentimentos com idéias e dividindo-os em pensamentos…(LEIA O TEXTO COMPLETO)


CAPÍTULO

Algumas coisas são feitas para se tornarem memórias. A felicidade às vezes dói mais que a tristeza. Ela é como uma explosão de prazer, uma perfeição ilusória, é um princípio sem meio nem fim.Sinto como se pudesse guardar este ano, repartido em capítulos, guardar como uma pedra preciosa, como um tesouro lendário. A beleza do começo do amor, da entrega imprevista, da mudança interna. O início de tudo. De toda uma vida, talvez. Agora, no fim do começo, há uma vida nova que me assusta de tão imprevisível. Inicia-se como o despencar de um abismo, com incertezas e perguntas…(LEIA O TEXTO COMPLETO)

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