CAPÍTULO

Algumas coisas são feitas para se tornarem memórias. A felicidade às vezes dói mais que a tristeza. Ela é como uma explosão de prazer, uma perfeição ilusória, é um princípio sem meio nem fim.Sinto como se pudesse guardar este ano, repartido em capítulos, guardar como uma pedra preciosa, como um tesouro lendário. A beleza do começo do amor, da entrega imprevista, da mudança interna. O início de tudo. De toda uma vida, talvez. Agora, no fim do começo, há uma vida nova que me assusta de tão imprevisível. Inicia-se como o despencar de um abismo, com incertezas e perguntas.A constância variável e bela dos olhos de Daniel, a primeira vez que experimentei seus lábios, suas mãos… até a aparente confirmação do amor. Uma indefinível descrição do que é o amor, do que é isso que nos dá tanta felicidade e ao mesmo tempo tanto medo! A trajetória. Caminhando como formigas, sob o olhar do Deus criador nos observando percorrer o caminho. Ele vê, mas não escolhe.Conformei-me que minha vida não se contentará nunca com estas palavras, não importa quantas linhas, quantas páginas, quantas prateleiras de livros eu escrever. Conformei-me que por maior que seja meu amor e minha confiança, não será capaz de competir com meu medo. E o medo talvez não seja tão feio. Frio, mas não feio. Calado ou berrando, exposto ou escondido, é sempre medo. E é constante. As faces enganam e eu sinto como se este mundo tivesse passado por mim e eu, vendo-me perdida, caminhei de volta para ele… Entretanto, já não era mais tão real. Não caibo. Como a mente humana é pequena! Deus! Pudera eu ter um espaço muito mais amplo de raciocínio, pudera eu saber o que estará escrito na minha próxima linha… Para este tipo de limitação existem as reticências.Então minha alma contenta-se com sua simplicidade, com sua humanidade, minha alma pára de buscar o perfeito, satisfazendo-se apenas com a adoração da perfeição.
Às vezes calar é o melhor a se fazer. Fechar-se. Só há uma força no mundo, o amor. E se não sou capaz de compreendê-lo, por que tentar lidar com ele? É como estar estática num mundo dinâmico. É como se envenenar com oxigênio. Por isso, não respiro. Há somente uma opção: o amor.É aí que volto ao medo, quando vivencio o amor. Por desconhecer sua natureza, receio tocá-lo, e lembro-me de uma frase de minha avó: “água não tem cabelo”. Assim é o amor para mim.No fim, irei descobrir que para todo ser humano é desta forma. Porém, poucos pensam a respeito. Poucos são aventureiros. Jogo-me abismo abaixo, alada com uma única e mera, não reles, asa. Tal asa é incapaz de sozinha me fazer voar, de me salvar, mas é de beleza sem igual, quase uma obra de arte. Chamo esta asa de poesia.

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6 comentários em “CAPÍTULO

  1. Ahhh … fiquei com preguiça de ler =x MAs sabe neh? qs 1am, sono batendo, preguiça soh tende a aumentar .. rste amo, pri! saudades da nossa epoca de GJ =~bjk!

  2. Que dizer da minha melhor amiga, da minha confidente, conselheira, aconselhada, e agora, mestre das artes líricas? Nada.Do texto? Impressionante como o tom desse texto é suave e agradável. Não é um dos famigerados “relatos das coisas simples da vida”… é muito mais. É a vida relatada com simplicidade.

  3. Nossa! Que belo texto, moça!!!! Sou amiga do Matheus e ele me recomendou o blog. Muito boa recomendação! Você conseguiu traduzir essa sensação tão paradoxal que o amor gera…o medo inevitável conjugado com uma alegria que não cabe dentro de nós de tão grande que é. Uma angústia incessante. Continue a escrever assim, de maneira tão bela. Faz bem ler coisas assim. Grande beijo!!!

  4. Fiquei realmente encantada com o seu blog. Incrível como você mistura frases poéticas com expressões coloquiais.Traduz belos sentimentos de uma forma que quase posso tocar. Adorei mesmo e já está na lista dos favoritos.

  5. Você já escreve tão bem há tanto tempo assim!?

    Acabei de ler seu conto na Trasgo #11 e estou fascinado!

    Meus parabéns!
    Você tem um dom fantástico e o está usando muito bem 🙂

    Abraço,
    Lucas Palhão

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