este é o meu sangue




As sirenes são gritos de criança.

Quando acaba tudo só me resta escrever. E quando acaba escrever, me resta o quê? Dois olhos, uma boca. E os gritos de criança da cidade. Um corpo pela metade. Queixas e rabos de olho (eu estou cansada). Vou pular.

Dessa vez.

Vou pular.

Pra dentro.

Do carinho amigo que não existe mais. Das estradas trilhadas nas quais fui deixada para trás. Fui deixada para trás. (Me esperem). Eu os alcanço na morte. Eu chego lá. Nos vemos, amigos, cara a cara no juízo final. Em meio a tantos falsários, amigos, eu sou o rosto sincero. Estarei. Sempre. Aqui. (Deixada para trás). Rezando para que os panos caiam e vocês me vejam, louca, pura. Cem-por-cento quem pode amar. Arrogante. Perdida. Amigos do sono, vejam-me desnudar para criar um corpo perfeito, uns olhos perfeitos, uns braços perfeitos. Vejam-me puxar a vida do caos, agarrá-la pelos cabelos a arrastá-la a seus pés, como oferenda. Tomem essa vida. Tomem toda.

Tomem.

Meu.

Choro.

Invisível.

Minha voz sempre embargada. Minha alegria desestabilizada.

Que eu tomo seus abraços como dádivas.










Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s