Equilíbrio

Alguém salve minha alma.
(Eu é que não vou fazer isso.)
O que me traz aqui é sempre dor. Dor, dor. Hello, mundo – quero ser ultrapassada. Do mesmo jeito que as minhas lágrimas ao ler um poema de Drummond ultrapassaram meu sábado cheio de expectativas (frustradas). Hoje, faço um brinde a este amável senhor poeta punk (e agora não estou mais falando do Drummond), do qual, do topo da minha cabeça à pontinha do meu dedo do meio, eu realmente gosto. E esta frase é dele.
Que amor torto que ele me traz.
E que vida!
Calor.
Estômago vazio.
Dor.
Estômago cheio.
Dor maior ainda.
Esperar. Esperar. E muitas outras repetições da mesma palavra.
Um pouquinho (ó, o eufemismo) de solidão, uma pitada de inveja. Um sonho que podia tanto ter sido inventado, mas realmente aconteceu. Sonhos acontecem só quando a gente dorme. Estou sangrando espadas.
Você desenha cavalos.
Você coreografa vícios.
Você importa babados e rendas.
“Você” continua compondo poemas em prosa, abstratos e de duvidosa qualidade literária. De novo. De duvidosa qualidade sentimental. Você afia suas facas (e eu aqui ainda sangrando espadas).
Você enterra essa caneta nas minhas veias.
Eu me dopo um pouco (muito) e durmo como se as horas fossem infinitas. A insônia é a priminha próxima da dor. Elas me procuram, taciturnas, e eu, não sei por que, desejava que estivessem sorridentes. Eu sorrio. Gargalho. Bebo pouco. Como quase nada. Observo minhas pernas magras sabendo que elas não têm jeito. Ano que vem parecerão iguais.
O calor aumenta minha náusea. Penso de novo no Poeta do Halloween. Ele, que deveria ser só uma casca, expõe essas cicatrizes tão lindas em palavras. Por que seu pulmão enegrecido me parece atraente? Por que seu amor incompleto e destrutivo me abre os portões da mente? (Eu quis rimar agora. Já falei: quero ser ultrapassada.)
(Ou só consigo ser ultrapassada hoje?)
Equilíbrio. É. A. Falta. De. Possibilidade. De. Existência. De. Vida.
Já disseram os cientistas.
E eu acredito, porque é bonito. Eu acredito na beleza com mais força que na minha própria respiração (ou seja, vida?). Queria falar pra sempre de beleza através de histórias, mas hoje elas me traíram. Me doparam e me levaram pr’um mundo de esquecimento. Tive amnésia pela primeira vez na vida. Esqueci o final do livro que terminei de ler ontem de madrugada. E, o mais curioso, ao reler o mesmo final, senti que não fui capaz de absorvê-lo novamente. Porque ele não significava nada?
A dor deu uma trégua, mesmo tendo passado o efeito dos remédios.
Mas amnésia que é bom, nada.
Sono, então, menos ainda.
Apenas solidão (até a poesia foi-se embora), calor e vazio no estômago.                Só no estômago. O resto está cheio.
Minha pressão arterial me diz “bye bye”. Levantar um braço é penoso. E, mesmo sem relação alguma, pensar é penoso. Minha mente está truncada. Não, intrincada. As duas coisas.
Amanhã vai ser um pouquinho mais de hoje. Mas eu preciso de comida, água, histórias, amigos, musas, poetas. Tudo isso é a espuma que preenche esta boneca de pano que eu sou. Rag doll. Ragdoll. Não consigo fugir das bonecas. Principalmente das vivas. Por que elas têm esses rostos infernais que eu amo tanto? E tantos cachos, tantas rendas, tantos olhos de cores impossíveis. Tanta indiferença. Eu poderia escrever tantos tanto sobre ela(s) que seria até estranho.

Já estou pertinho de ficar vazia de novo.
Só mais um pouco de paciência.
“‘from my head to my middle finger, i really think i like you.’

i’m a little coffee pot short, stout, and burnt beyond recognition. sour to the taste and an and, and an and, and an and, and the end…
what a dark mess of additives we’ve become.
look through my caffeinated eyes my love. i can see the sun in all its ultra violet glory. it beckons me to put off a life filled with procrastination… at least until we have the time to waste.
but all i wanted for xmas was a purpose, or maybe to float 5 lines deep.
                                                                        (4.3.2.)
one time i felt like i belonged, but that’s neither here nor there.
i can ride for miles and miles and miles and sleep for only minutes. no control but not exactly a riot either.
                                                                                  (fuck, you’re such a riot.)
healing powers beyond my wildest dreams, come from behind those lips. i am the dinosaur proudly soaring towards extinction. so smoke ‘em if you got ‘em kids… cause joe camel needs the pocket cash. or just read ‘em and weep cause my royal flush comes with a love note. i bleed spades, you draw horses…… we all go fish for compliments.
may the lord strike down our penniless heroes, for if not we must take matters into our own hands.
and everything will be new again when we open our eyes for the very first time.
so i’ll pick you up at 7 and we’ll have a real shitty time, but at least we’ll have a time. i’d love you to hate my guts if they weren’t already covered in these damned ulcers, ulcers only a mother could love.
so for now… peace, love, and misdemeanors. because i plan on being out of step for a while dear.” 

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