Sou eu que estou desaparecendo ou é o mundo?

Hoje eu quis chorar por motivos sérios e por motivos tolos. Hoje eu chorei. Hoje eu tive uma ideia melhor que essa mas deixei de escrever por ser triste demais. Não aguentei. Contudo, tenho aguentado. Amanhã, talvez, eu acorde morta. Ou daqui a sessenta anos numa cama de hospital. Ou nem um nem outro.  
Não importa como vai ser. 
O que importa é que eu estou desaparecendo.
Olho pra dentro de mim e não vejo ninguém.
Às vezes, vejo uma pessoa. Depois, outra pessoa diferente. E outra. E outra. Nenhuma delas sou eu. As prisões se confundiram com meus tecidos e meus sistemas. Não sei mais identificá-las. Elas já fazem parte de mim. (Talvez eu tenha aprendido a amá-las).  
Não que eu não sinta nada. Pelo contrário. Estou sentindo tudo misturado. Possivelmente é daí que vem a sensação de distanciamento. Eu não sou uma louca. Não sou uma vítima. Só queria que o mundo me amasse tanto ao ponto de eu jamais me sentir sozinha. (É claro que eu sei que isso é impossvel). Nem na hora da minha morte. (Mais impossível ainda).  
Eu poderia pedir uma receita que me ensinasse como parar de desaparecer e, quem sabe, até reaparecer. E, com certeza, vocês me ofereceriam algumas bem razoáveis. Esse tipo de receita, porém, só se cria sozinho. No calor da própria alma confusa que jamais sonha em vislumbrar uma pontinha de luz. (Por favor, não! Por favor, não me ajudem! Vocês nem estão me vendo, não estou mais aqui).  
Eu não preciso de ajuda.  
Eu preciso de amor.  
Mesmo que ele me faça desaparecer.
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