Se eu não posso voar, deixe-me cantar



Green finch and linnet bird,
Nightingale, blackbird,
How is it you sing?         
How can you jubilate,
Sitting in cages,
Never taking wing?
[…]
Teach me how to sing.
If I cannot fly, let me sing.”

(Stephen Sondheim)





Nós nunca vamos ver mudanças através da beleza.

(E isso me entristece um pouco).

Gradativamente, o silêncio cai sobre nós. A decepção castra. A festa que nós compramos deveria ser qualquer coisa menos uma festa. Nós continuamos caindo. Interrompemos a queda magicamente. Tomamos fôlego. Mas estamos caindo. A vida não passa de um sintoma (defenda-se). “Nós” não existe mais. Eu estou quase desistindo. Não entendo mais nada, lamento a perda da inocência. Sim, era inocência. Só que às vezes eu chamo de ignorância. Dentre tantas palavras, no meio de tanta história, eu não faço mais diferença. Nunca fiz.

Vou ficar aqui, do meu lado.

(Porque eu sou do lado da beleza).

Violentada – ou castrada – pela própria esperança. A fé, que durou um minutinho, de que se poderia ir além. Não, estamos voltando. Eu estou voltando. Estou de volta pro meu lado, o lado da beleza. Isso pode não significar nada. O que importa – o que REALMENTE importa – está lá fora. Está na luta cuja cara eu desconheço. E eu não quero atrapalhar. Sou covarde. Mais que tudo, sou decepcionada. Violentada. Castrada. (Nunca, nunca, nunca calada).

Dentre tantos devaneios bestas, sobressalta-se aquele de que a arte deve ter se sentido traída. Possessiva e obsessiva como ninguém, agora ela ri da minha cara. Sua histeria não me faz ter raiva dela, faz-me amá-la mais. Ela, a arte, é a beleza feia, a beleza sublime, a beleza de uma luta romanceada (ou de um romance desfigurado), de uma utopia que não tem fim. Confesso: sim, fui seduzida. Eu amei a mais leviana de todas, a utopia. E agora a arte volta para se vingar da mais vil das traições. Só que no mundo, neste mundo em que eu vivo agora, não há mais lugar para a forma gloriosa da arte, a beleza. Assim, sigo para o exílio.

Não vou estar mais aqui quando o mundo acordar, já vou estar lá do outro lado. Do lado da beleza.


“Se eu não posso voar, deixe-me cantar”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s