Sem querer ser abstrata… Mas isto não é um simbolismo

               
                (Antes de eu chegar aqui, isto já se perdeu)
               Minhas costas arranhadas desconhecem o sangue que derrama do meu nariz. Meu septo acabou de explodir aqui na frente. Mas eu não sinto as minhas veias. As veias são as vias nas quais os carrinhos azulados transitam, uma imagenzinha boba que tornará mais agradável conviver com o derramamento de sangue aqui em cima. E, quando, volto às minhas costas, meu septo (lá na frente e em cima) está intacto novamente. Fluido e com uma barra de metal atravessada no meio. Meus olhos não. Decidi mantê-los inteiros, nunca feridos, nunca desfeitos. Eles eu quero perfeitos nos meus graus de miopia e na minha cegueira progressiva. Agora são minhas pernas que reclamam. Simplesmente porque decidi achar minhas costas laceradas bonitas. Não por narcisismo, pela idolatria da beleza das minhas unhas que rasgam a também minha pele, mas por amor ao arranhão em si. O arranhão, não a minha pele. A tragédia infundida naquele pedaço pedantesco de pele. Não consigo vê-lo. Nem tento. Imagino-o, com base na figura que se apresentou a mim ainda agora no espelho. Não aguento e vou vê-lo só pra descobrir que não se localiza exatamente nas costas, mas na junção sem nome entre o ombro e o braço. Não tô pra sentimentos hoje, mas eles – os sentimentos  – são bem assim: a junção do ombro com o braço. Pelo menos a maioria deles. A parte que importa. That’s a secret!
              Não visceral.
             Não, não, nada visceral. É radical, eu sei, mas esta palavra está a me enojar. Sou cheia de vísceras todo o tempo, give me a break. Hoje só quero ser epiderme. Soa limpo, não é mesmo? (É? E o que você me diz das feridas expostas aí em cima?) Epiderme… E como chamam mesmo os elefantes? (Google it) Paquiderme! Sou eu hoje. Paquidérmica. Paquidermática. Paquidermímica. E isso é o que me confunde, tendo em vista minha pele tão fininha (lacerações a torto e a direito). Mas a pele grossa é uma ilusão que eu gosto de ter. Se for pra ser metafórica então, deixa de ser uma ilusão. Tenho a pele espessa que nem a parede da Duomo de Milão.
            Queimaduras de cigarro. Afundam alguns milímetros da minha pele de elefante.
Elefante. Tem. Cara. De. Doença.
Meu tecido é feito de plástico. Derrete. Cheira bem. Como poliéster, que só serve pra ser queimado, não lavado. Não forma pilling – o meu tecido frouxo e feliz. Solta apenas um irritante cheiro de baunilha, quase tão irritante quanto as risadas da Bailarina na minha cabeça. Ela está parada nos 15 anos e eu estou parada na distorção do tempo (let’s do the time warp again!). Argh, baunilha! Quem teve a infeliz ideia de pôr essa merda de baunilha num perfume? Essa porra é o que, uma planta? Tudo que é planta tem que virar perfume? (Google it) É uma motherfuckingvagem que vem de uma orquídea! Então eu descubro que me enganei. No frasco do perfume tá escrito “Midnight Mimosa”. Eu rio porque é uma baita nome engraçado. Vamos acreditar que era baunilha.
Esse papo todo me afastou do sangue, das feridinhas nas minhas costas, das minhas pernas que começavam a querer sangrar também. Tarde demais. Já fui puxada pra concretude e isso, como a morte, não tem volta. Não por agora. É transitório como os espectros que cristalizam minhas irrealidades.
Coça de novo e tudo recomeça. O cheiro da falsa baunilha, os elefantes, os cigarros, as orquídeas. Queimar orquídea deve ser algo bonito. Mas não como queimar plástico, repito. E mais risadas. Elas me recordam um espelho quebrado, explodido. Mas eu não estava falando ainda há pouco de incendiar plástico? Incendiar não. Queimar lentamente com a ponta dum cigarro. Dele. Do homem dos braços tatuados. Ou dele (agora cigarros longos, svp), do homem dos braços limpos. Eles estão todos sobre mim. Como um cobertor macio. Ou melhor, um colchão que é mais pesado e pressiona minha coluna e minhas costas dilaceradas. Rasgadas. Eles estão puxando minha pele. Eles estão cochichando coisas sobre sua adolescência que eu ainda não sei. Coisas que eu daria cada uma das minhas casquinhas pra saber.
São os donos transitórios das minhas irrealidades e do meu sono.
Gimme somthin to belie… breath from the bre… thizs hammers an’ strings… yourno orphan… yournot… yournot… said you uldd someday… yournott… wrappin me up… view from the vaalleey… wooh wuh… walls fell an-there I laid saved… suicide blon… bankrupt the blu sky… wrappin me up… restlessdreem we left behind…perfect hell, perfect… ours pass… and ours pass… ye-ye-eh… shestill cants the minutes… so highhh, so tiiired… started feelen like oktober… yournot yourno orphain… darara bound to de ground… sclear as glass… dear jack, dear hope… distancintomorrow rumorrow s come an pass… dear jack… dear jack… darara… wors of this gone… gimme somthn to believ… i’ll swem… swim… sweem… 



Imagem:http://hakubaikou.deviantart.com/art/blood-80662675?q=boost%3Apopular%20blood&qo=9
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