O SOM E A GRAVIDADE



Nosso peso não pesa no mundo.
Nossos sonhos são enxertos de indiferença.
Há algo dentro dos nossos olhos que vagueia em busca da casa que nunca foi nossa
Mas que sempre amamos
Sempre nos vagões e nas catracas
Procuramos por essa casa.
Nos corredores, nos hospitais
Nos parapeitos e nas calçadas
Nossos olhos-crianças procuram a casa.

Dizem que não pesamos nada
Mas o som não depende da gravidade.
Nosso canto toma o mundo por completo, surpreso, ainda sem acreditar na força da nossa voz.
Somos nada
Mas não somos vácuo.

A casa não é vácuo
As calçadas, sim
São os olhos da mediocridade
Do crime, do bacanal ou da missa
Dos sinais de igual e desigual
Dos postes e das correntes
Das mãos que, em sua razão, mentem
Neles nossa voz não se propaga.

Nosso peso contrapõe o barulho da batida de carro
O ruído feroz que vem da bala
O pesar angustiado dos pés calçados no chão.

Nosso peso
Nossa voz
Nosso canto
A volta para a casa.

Imagem: http://furafura.deviantart.com/art/voice-33363776

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