Cruz (Tentativas)

Amor é sacrifício. E que sacrifícios estou apta a fazer? Sempre duvidei ser capaz de me sacrificar, de qualquer forma que seja, por outra pessoa. Devido a isso, costumo me julgar incapaz de amar. De tanto que isso rebate sucessivamente em minha mente cheia de anteparos, um dia cheguei a pensar na minha provável impossibilidade de ser cristã. E esse foi o pior dos pensamentos pagãos que já tive! Entretanto, há alguns minutos, foi-me escancarada ínfima parte da sabedoria de Deus.
Foi-me revelado que pensar um ser humano sem capacidade cristã de amar inata é insanidade. E que eu, obviamente, não era diferente. E qual seria então minha capacidade de sacrifício? Ah, como eu sempre admirara os mártires (está aí minha parte épica). Mas onde está minha coragem de ser esfolada e queimada viva? Onde está minha bravura, meu desejo de derramar sangue e meu peito-alvo de flechadas? E onde está meu testemunho, onde está minha cara a tapa e zombarias?
Ainda há pouco percebi que meu sacrifício já está sendo feito tem tempo, e eu não me dava conta. Elucidar a mente das pessoas, ainda que a minha continue obscura, é um sacrifício. É, de certa forma, evangelizar. É passar o que eu entendo, mas não consigo consolidar. É ajudar sem esperar nada em troca. É um ato de amor. É ser mártir, pondo na berlinda a minha própria salvação. Mas Deus não me abandona. Não entendam mal. O que eu abordo aqui não é hipocrisia, pregar o que não se vive ou não se acredita. Estou falando da minha capacidade de discernir racionalmente (é isso aí, Matheus) o que eu ainda não desenvolvi sentimentalmente e, assim, dar aos outros um pouco desse discernimento – ousaria eu chamá-lo sabedoria? Esta sabedoria, a qual surge das minhas próprias tentativas fracassadas, é para o “meu próximo”, não para mim. Por dentro, ainda não evoluí. Meu martírio – poderia ser doação? – é reservar a grandeza que está contida em mim para os outros, enquanto minha alma pequenina caminha míope, perdida. Apesar de débil, ela mantém seus dois braços, um de esperança e outro de fé, estendidos, tateando neste meu soturno vale de tentativas.

[Claude Monet – The Red Kerchief]

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Um comentário em “Cruz (Tentativas)

  1. Nossa Priii!!vc ai falou por mtoss!!Perdi a conta de qntas vezes me senti assim =/Escreve mtoooo fodasticamente bemmm… nem preciso dizer que sou seu fã de carteirinha ne? 😉Meu post de amanhã no meu fotolog, divulgarei esse blog com certeza 😀bjussss=**

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